Dos laudos com amostragem mínima; e máxima generalização
- Engº Roger Teixeira | Pós-graduado em Patologia da Construção e em Perícias e Ciências Forenses

- 9 de mai.
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Atualizado: 10 de mai.
Sustentar uma generalização de vícios, em que a amostra é tomada como representativa de um todo, com finalidade de “desenhar” um cenário generalizado e caótico na edificação, não sugere honestidade intelectual. Não representa a realidade, pois cria uma situação paralela a ela.
Digamos que uma cobertura tenha 50.000m², relativamente comum em áreas industriais, adotar 60 a 80 infiltrações como falhas generalizadas na estanqueidade do telhado, através de imagens direcionadas, redundantes (e da mesma infiltração, por exemplo), tornará, de antemão, imprecisa a quantidade exata da amostra.
Em um empreendimento genérico, fossem 80 pontos com infiltrações, a quantidade poderia sugerir elevada, quando não considerado o contexto e grandeza.
Proporcionais à área, seriam notoriamente pontuais; e não generalizados.
Para fins didáticos, hipoteticamente, consideramos que todas aquelas 80 infiltrações fossem “vícios construtivos” e nenhuma delas esteja relacionada à uma manutenção deficitária; o que exigiria desconsiderar qualquer concausalidade, pouco plausível, visto que uma cobertura não dependeria somente de boa execução, mas colocada em uso, deverá ter manutenção rotineira.
Da área mencionada, aqueles 80 pontos representariam uma incidência da ordem de 0,1% do telhado; mesmo que fotografadas infiltrações, manchas e outras, sob viés do interessado ou prepostos que tenham objetivo de produzir “narrativas” que se distanciam do setor de engenharia; e se deslocam para o setor jurídico.
Com “estanqueidade” geral próxima dos 99,9%, certamente uma manutenção rotineira ou, que fossem, ajustes mínimos seriam suficientes para resolver os pontos “críticos” dados como generalizados.

Veja, isto não se aplica apenas às coberturas, mas a toda tentativa de transformar uma amostragem mínima (e direcionada) em máxima generalização, resultando em laudo de engenharia, supostamente imparcial ou impessoal, em uma perícia enviesada, que não costuma ser endossada por um bom perito, esclarecido e sob ótica neutra.
Se 0,1% de “falhas” seriam suficientes para generalizar defeitos diversos, o oposto, se também direcionado ou tendencioso, seria possível; outra “narrativa” (enviesada) poderia ser construída se imagens do mesmo local fossem escolhidas nas demais áreas para indicar uma “ausência de infiltrações” e telhado perfeito, por exemplo.
Nem um, nem o outro; ambas seriam para o perito médio de engenharia, com suficiente expertise para identificar a realidade e tornar justa a análise, meras narrativas que tentam se enquadrar como supostamente técnicas.
